domingo, 22 de outubro de 2023

O meu problema


 

















Em todos os lugares por onde passava, as minhas mãos eram solicitadas para desenhar "Tu com essas mãos não deverias estar aqui a apertar parafusos, A sujá-las de óleo do carros!" um dia mandaram-me fazer o retrato do diretor da oficina à entrada da casa de banho. Assim que ele viu, fui logo despedido. O destino não existe, mas quando se têm caraterísticas demasiado afirmadas, não há como escapar a essa não existência.
Mas nem só as mãos, na prisão mais famosa de Moçambique, onde fui radiotelegrafista, pela meia-noite um preso em liberdade, ou escapado das grades, chamou por mim "Preciso muito que me faças um favor! Mas já sei que não vais fazer!" hesitei, mas respondi "Vá, diz lá!" o meu receio era que ele pretendesse anular-me para cortar a comunicação e poderem fugir da prisão e da ilha. Ele era dos presos mais perigosos.
"Preciso que me cantes aquela canção, Balada para um amigo!"
Àquela hora da noite, tal pedido era muito estranho, mas lá desci as escadas do primeiro andar com a viola. Cantei-lhe a balada e logo ele começou a chorar, indo depois tranquilo para a prisão. Um momento inesquecível. Ai, Filho, Só tens jeito para coisas que não dão dinheiro!"

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