terça-feira, 19 de julho de 2022

O Nada dE NenHures










O Nada, 
o Nada de nenhures,      
o Nada de patavina de nada!
Eh o genial princihpio e fim de tudo!

E nao precisa de se exibir,
nem de ser coisa nenhuma,
nem de costeleta alguma,
nem de mergulhar as maos na lama,
nem do que quer que seja,
para fazer, seja o que quer que for!

Um verdadeiro Deus                
nao precisa nem de existir!
Um Deus nao eh uma esseyncia,
um Deus eh uma premeyncia alusiva ao amor!

 E se pensam que o acto de pensar   
vos dah existeyncia        
e vos liberta da morte,
estao redondamente enganados!
Nao teym sorte nenhuma!

O acto de pensar soh vos desnuda, 
e mingua a mortal migalha,
a um vahcuo de inconcebihvel nada!

E nao ha nenhuma eternidade mais alehm!
Nem mais nada que Nada!
E assim,  
a Partir de hoje,
estao alertados a nao pensar!    
Para que nao percam, pela segunda vez,
por culpa de um fuhtil juihzo, o Paraihso! 

E nao me olhem assim,
duvidando de meu desmiolado siso,
porque nao sou conclusao de coisihssima nenhuma,
nem me tenho por rehu de nada!    
Estou inocente como o mais puro sapiente     
de sua ignorayncia! 

Nem sou guru, profeta, nem nada      
que se parecya ou desavenha!
E se quiserem alcancyar a eternidade,   
simplesmente, nao pensem!     

Deixem que os iluminados eleitos       
vos pensem e componham!          
Vos tragam a costeleta           
e o barro em pensamentos jah amassados!

Pensar eh uma pura perda de tempo,         
e, de todos, o maior pecado!    
Jah tudo foi pensado! 
Nada mais ha que pensar!
Sejamos falsa e estupidamente livres e eternos!      
Livremo-nos de pensar!          

Compremos os pensamentos no supermercado!          
Amadurecidos, coloridos, idealizados!  
Os pensamentos novos conduzem-nos ao efehmero!
            Ak revolta!
                         Ao abismo!                      
                                                 Ao Nada!

 A eternidade eh o filho adoptivo preferido da necedade,
o santo e miraculoso milagre do paraihso
Tomem juihzo,
        aceitem dos eleitos, a verdade!

E por favor, nao me olhem assim!
      Eu nao sou nem um princihpio, nem um fim!
                  Eu nem sequer retenho                   
uma fuhtil razao para existir,                       
eu sou muito menos que zero                                    
a subtrair por nada! 

            Eu nunca quis o pecaminoso gozo de pensar,          
esta droga eh um malefihcio,       
um incurahvel vihcio!   
Um desperdihcio de tempo
             
sem tempo nem lugar algum! 

                      Livrem-me disto,
                          deste mal que se entranhou em mim!

 Ah!.. 
         
      Mas quando eu for um fadado velho
             
de ameacyada sobreviveyncia,
             eu tambehm quero de volta a minha inoceyncia!

               E vou bater o peh,
                  
e exigir o Pai Natal de regresso,
                           e a todos os santos, e a Deus, eu pecyo:
                    Eu tambehm quero entrar no Cehu,
              
sem ter demohnios ak perna!
       Eu nao vou desperdicyar
              
a minha entrada na vida eterna! 

Perceberam?
         
Se nao perceberam nada,
            
estao de parabehns,
       eh vossa a eternidade, estah garantido!

             Mas se perceberam,
    
se tudo faz sentido,
        
ah... desgracyados,
            
estao condenados
                 
ao mais cruel de todos os males:               

 Ao Nada!
        
O Nada de Nenhures!
          
Ao Nada de coisihssima nenhuma!

                    O Nada genial criador de tudo!


joa d'Arievilo
2005.05.04

 

 

 

 




























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