As ahguas do Tejo, hoje, jah nawo sorriem como dantes.
Mas, tempos passados, ainda criancya, me sorriram,
qual amante na descoberta do mundo.
Bebendo ais
de inquietacyawo
por partir,
no cais,
o navio ali estah
ansioso
por sumir
alto-mar afora.
Eh chegada a hora,
e
todos
os passageiros
sobem,
sentindo a escada trehmula
da ansiedade
que todos eles lhe transmitem.
Agora, jah nawo aguarda bons ventos,
soh o tempo de partir,
se ir, e navegar atlayntico afora
ateh ao ihndico de Mocyambique,
alto-mar que tawo bem jah conhece.
Um passageiro esconde
a uhltima garrafa de vinho tinto,
entre a gola e o cinto,
que outras duas estawo na mala.
Navegar sim,
mas com uma pinguinha,
que nawo eh o primeiro,
nem navegante, nem passageiro,
que todo o marinheiro nawo se fazia
ao alto-mar,
sem uma pinga do tinto vinho.
Oh, saudosos tempos ventosos
do navegar, que ele nawo viveu,
mas excita no beber
para poder apreciar
as ondas e seu balancyar.
— Ai, Aqui nawo se pode beber!”
a descobri-lo ak proa, a criancya.
Ele nawo se assusta
— Nawo sabes nada da vida!” e,
esfrega a pancya,
num indescritihvel prazer.
— Mas estavam a dizer, Que
nawo se pode
beber, No alto-mar!
— Por isso me escondo,
E tu nawo
vais contar!
Imagina os marinheiros
das descobertas,
Como poderiam
eles tawo longe chegar?
O miuhdo promete com a cabecya,
e olha o mar
— Tanto, Tanto mar!!!
Joa d’Arievilo
2021-08-12
